• Elisa Ribeiro

Antídoto

Antes feliz, hoje sou luto

nada faz qualquer sentido guardei no bolso o sorriso

foi-se o amor, perdi tudo.

Já não me alenta o futuro

nada desejo ou preciso

sem consolo, apenas sigo

certeza, só do meu túmulo.


Nesse tal sofrer estúpido

chego ao vão central da ponte

abaixo, o nada atraente

a morte à distância de um pulo.


À minha frente, o horizonte

atrás de mim, um sussurro

ilusão feita de vento

diz algo que não entendo

mas intuo:


que não há tristeza sem fim

nem futuro sem surpresa

e descobrir beleza em tudo

depende apenas de mim.


Desisto do salto no escuro

cuspo o amargo no abismo choro mais uma gota e sigo braços abertos ao novo.

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