Nascimento

“Estenda –me a mão”, Ela pediu muito antes do Início... antes do Nome e das feições. A mão que se estendia, seria uma mão se tudo desse certo...

“Agora, segure firme; jamais o solte... ele pode se partir... se perder... Busque aprender quando a Luz vier a tê-lo nas mãos mesmo que elas estejam vazias e sozinhas... não o deixe cair... não o perca...”, Ela pôs algo brilhante na mão que seria uma mão, acomodou-a entre as suas e desejou com o amor de todas as mães o que sempre desejou desde que o Tempo ainda engatinhava...

“Seja Único! E não esqueça do que tem nas mãos... não me desaponte... Agora, vá!”, Ela, que estava em todos os lugares, recitando em todas as linguagens as mesmas palavras acomodada sobre a Eternidade... consentiu que viesse a Luz...

...e um choro de bebê ecoa pela sala de parto. Uma jovem mãe toma nos braços trêmulos o fruto ensanguentado... beija-lhe as minúsculas mãos que não sabem o que carregam... mas que um dia lhe darão um nome... o chamarão de Destino...

Ela, assistindo a todas as Luzes, espera poder crescer com todos... Ela... que de tão desconhecida, aceitou ser chamada de Vida...

E no nascimento de Tudo, Ela pra sempre... pra sempre... seria vista...



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