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O bigóde do Poe



O prazer que ele sentia ao brincar com suas vítimas era quase infantil. Seus olhos brilhavam de alegria quando as prendia sob o peso de seu corpo e lhes dava pequenas mordidas tomando sempre o cuidado de não ferir a carne antes da hora. Então, quando percebia que o medo já as havia dominado, oferecia-lhes uma mísera esperança de que o tormento tivesse acabado e as libertava apenas para caçá-las novamente antes que pudessem passar pela porta.

Encarar aqueles olhinhos pretos ao se depararem com ele que surgia à sua frente impedindo a fuga e que, cheios de espanto e medo, pareciam saltar dos rostos pequeninos, era quase tão bom quanto o ato final.

Naquele momento, desfrutava daquele imenso prazer. Acabara de encurralar uma de suas vítimas num dos cantos da parede e estava a ponto de dar o bote fatal quando ouviu sua humana gritando histericamente como sempre fazia quando o flagrava naquela situação.

O pequenino ratinho, aproveitando o momento de distração de seu algoz, escapou rapidamente pondo fim à diversão do pobre Poe a quem restou espreguiçar-se e alisar o próprio bigóde com suas patinhas umidecidas.

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