Rotina





I walk alone Eu caminho sozinha Every step I take Cada passo que dou I walk alone Eu caminho sozinha My winter storm Minha tempestade de inverno Holding me awake Mantendo-me acordada It's never gone Nunca se vai When I walk alone Quando eu caminho sozinha I Walk Alone - Tarja

Beijou o esposo e saiu. Chegou no trabalho na hora, abriu o armário amassado e tirou o pequeno uniforme. Vestiu-se com calma e pintou o rosto como sempre. A noite foi um tanto agitada, duas brigas perto do bar e um cliente expulso por mexer com as garotas. "Olhe, mas nunca toque, baby!", era o slogan. Alguns clientes rotineiros e gorjetas gordas. Dançou a noite toda em sua gaiola, gingando com graça e exibindo a nudez que a micro lingerie não cobria. O trabalho de sempre. Voltou pra casa depois do serviço oculta pela madrugada fria. Sentada sozinha na poltrona pichada do ônibus escrevia poemas de amor febril no minúsculo caderno que sua irmã lhe dera. Na janela, gotas de chuva desciam chorosas. Ao romper da manhã chegou em casa e foi recebida pela alegria sincera de seu cão. Foi até o quarto das filhas que ainda dormiam e beijou com carinho as gêmeas na testa. Entrou no minúsculo escritório do marido e o encontrou dormindo, debruçado sobre sua rotineira montanha de papéis, contos e escritos. Beijou seu rosto amassado e levou a xícara de chá vazio até a pia. Foi até o quarto e olhou-se no espelho da cômoda. Olhou e sorriu. Despiu-se de suas roupas e vestiu uma camisola bege sem graça. Meteu-se na cama e esperou por mais um dia. Mais um dia de rotina. PS: Esse conto foi escrito ao som de "Índios" do Legião Urbana.


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