Se eu pudesse voltar no tempo





Minha mãe, minha mãe, ela me abraçou

Did she hold me when I was out there?

Ela me abraçou quando eu estava lá fora?

My father, my father, he liked me

Meu pai, meu pai, ele gostava de mim

Oh, he liked me, does anyone care?

Oh, ele gostava de mim, alguém se importa?


Ode To My Family

- The Cranberries











Se eu pudesse voltar no tempo. E se eu pudesse voltar? Voltar eu iria? Ver ao voltar a velha fotografia viva, agora vivente em cores virgens. O passado ainda menino. Ainda de fraldas.

Talvez sim, talvez não.

Se pudesse eu voltar, voltaria eu? Voltaria? Correr contra a maré de folhas que nascem secas, crescem amarelas e morrem verdes em semente? Ver de perto o antes, que hoje é o depois, mas que já foi presente algum dia.

Talvez.

Talvez eu voltasse. Viajando num relâmpago sem som. Rápido como uma bala, ansioso por ver. Voltaria e veria a vida antiga, viveria as histórias que os últimos sábios contam hoje. Veria as crianças crescerem novamente, conversaria com os jovens e pediria a benção dos velhos. Com certeza.

Ou talvez não.

Eu veria os que já foram. Os abraçaria como se fosse a primeira vez. O primeiro encontro. Diria como fazem falta, o quanto os amo, e choraria sabendo que irão novamente por que devem ir. Pois como diz o poeta morto: "O tempo não para." Isso iria rasgar minha alma. De novo. Mais uma vez.

Então talvez eu não voltasse pra ficar. Ficaria apenas por um tempo pelo tempo. Como se fossem férias. Férias bem curtas. Voltaria por alguns dias especiais, alguns instantes essenciais. Ver pessoas, viver histórias. Sentir o gosto da chuva que já passou. Tocar o vento que já dobrou a esquina.

Mas..

Mas eu não moraria lá. Não iria aguentar. Seria tanto uma benção quanto maldição. Seria um sonho reprisado, apenas um sonho. Um sonho já usado. Apenas isso.

Ou talvez eu seja apenas alguém que sonhe muito. Talvez alguém que chora muito quando acorda. Talvez eu seja um sonhador perdido, fora de seu tempo. Perdido. Ou só alguém bobo, nostálgico e de coração mole. Talvez.

Ou talvez..

Talvez preferisse apenas o hoje. O presente. Sem esquecer do filme precioso que é o passado. De seu valor acumulado, seu ensino bem vindo, de suas boas histórias. Ir em frente, mas sem esquecê-lo.

Talvez hoje eu apenas prefira honrar a lembrança e a memória do passado. Honrar os heróis, mestres e companheiros que agora descansam o descanso merecido. Seu lugar é no aconchego de nossas memórias. Sempre junto de nós. Até o dia que viremos passado também...










    "Esse pequeno texto é uma singela homenagem à todas as pessoas que amo e já partiram. Todas são muito amadas e nunca serão esquecidas."

                                          De Jefferson

Para Herto

''O melhor amigo que um dia se foi''


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