Sexta-feira 13



Eu já estava completamente irritado com aquilo, só podia ser coisa daqueles moleques vadios que viviam aprontando pelas ruas do bairro. Gostaria de saber onde estavam os pais daqueles perdidos. Na certa seriam um bando de vagabundos quando crescessem. Eu sabia que eles não descansariam até serem escorraçados a vassouradas, então, apaguei as luzes e esperei bem ao lado da porta. Quando as batidas soaram pela terceira vez naquela noite, eu saí para a rua imediatamente, vassoura na mão e gritando. Queria dar um grande susto naquele bando, e acertar quantos fosse possível com o cabo da vassoura, mas como nas outras vezes, não havia ninguém ali. Olhei para todos os lados procurando. Não havia movimento algum e eu não conseguia entender como eles conseguiam desaparecer tão rapidamente. Desanimado e vencido voltei para dentro de casa e antes mesmo de fechar a porta, ouvi o som seco das batidas outra vez. Só então me dei conta de que as batidas não vinham do lado de fora. Acendi as luzes assustado e o que vi fez meu coração parar de bater por alguns segundos. No espelho do hall, vi meu rosto que gritando em desespero enquanto, com os punhos fechados, dava socos do outro lado.

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